PELA PORTA DA MORTE                         UMA MENSAGEM AOS ENLUTADOS

por GEOFFREY HODSON                Uma publicação da Theosophical Publishing House –                            Adyar, Chennai, Índia  Dedicatória

Dedico este livro com gratidão à minha valiosa amiga e auxiliadora, Srta. N.K. Griffith, de Auckland, que por muitos anos tem ajudado a manter as condições sob as quais meu trabalho literário mais recente foi realizado.

AGRADECIMENTOS

Parte deste livro, que se dirige especialmente àqueles que estão enlutados e necessitados de consolação, apareceu em um livreto de guerra, publicado pela Seção Neozelandesa da Sociedade Teosófica sob o título O Mistério da Morte.

Agradeço com gratidão a permissão para usar, em forma emendada, extratos desse livreto.

Devo também expressar gratidão aos meus amigos Roma e Brian Dunningham por sua generosidade ao longo de muitos anos e pelo fornecimento de estenógrafos tão necessários.

PREFÁCIO A dor causada pelo luto pode, a princípio, ser tão grande que tanto o coração quanto a mente se fecham a toda cura e a toda luz.

A morte parece trazer perda final e irrevogável; ser um julgamento contra o qual não há apelação.

Este livro é escrito principalmente para trazer a consolação e a iluminação dos ensinamentos da Teosofia àqueles que sofreram tal luto, e também para fornecer informação àqueles que buscam conhecimento sobre o homem e, mais especialmente, sobre sua vida após a morte.

A Teosofia afirma que, sendo a Alma Espiritual do homem imortal, é apenas o corpo que morre.

Em sua natureza essencial, poder de compreensão e amor, seus interesses de vida, caráter e traços humanos, os que partiram não morreram.

O ser humano conhecido e amado continua vivendo após a morte corporal.

Ele apenas vai para outro mundo, um tanto afastado deste, é verdade, mas ainda assim bem próximo.

A separação não é irrevogável; aqueles que se amam e foram separados pela morte se encontrarão novamente.

A Teosofia diz para onde os falecidos foram, sob quais condições agora existem e como a reunião ocorrerá.

Definitiva e precisamente, a Teosofia responde a todas as perguntas do coração aflito.

Ela não oferece nem dogmas vagos nem apenas textos das Escrituras, e não faz apelo à fé cega; pois seus ensinamentos estão fundados em séculos de pesquisa conduzida cientificamente, cujos resultados foram verificados e reexaminados por sucessivas gerações de Videntes treinados.

GEOFFREY HODSON

Epsom, Auckland, Nova Zelândia.

SUMÁRIO CAPÍTULO

I.      Os Meios de Pesquisa

II.     O Processo de Morrer

III.    Primeiras Experiências Após a Morte

IV.     Atividades Variadas Após a Morte

V.      A Reunião dos Que Se Amam

VI.     Suicídio

VII.    Purgatório

VIII.   O Soldado Após a Morte

IX.     A Criança Após a Morte

X.      Como se Preparar para a Morte

XI.     As Sete Vestes da Alma

XII.    Filósofos e Poetas e a Vida Após a Morte

A Fonte do Conhecimento Teosófico

Um Método de Meditação

Teosofia e a Sociedade Teosófica

CAPÍTULO                                                                                I

OS MEIOS DE PESQUISA

O Longo e Misterioso Êxodo da Morte

O assunto da vida após a morte dificilmente pode deixar de ser do maior interesse e importância para cada um de nós; pois quem há entre nós que não tenha sido chamado a experimentar a dor do luto, sentido o desejo de saber para onde os entes queridos foram e algo das condições da vida após a morte na qual eles entraram e na qual todos devemos embarcar quando chegar a nossa hora, como um dia inevitavelmente deve? "O longo e misterioso êxodo da morte", como tem sido chamado, é, portanto, um assunto que fazemos bem em considerar.

Muitas perguntas se apresentam.

Aqui estão algumas delas:

A morte traz a extinção da identidade humana? Os falecidos estavam cientes da aproximação imediata da morte? Eles estavam conscientes do processo de morrer? Como se entra na vida após a morte? A que condições a Alma desperta após a morte? Há continuidade de personalidade, com memória, afeição, simpatia e interesses contínuos? Há tempo, negócios, trabalho, pressão lá, ou está alguém livre destes na vida após a morte? Podemos esperar pela reunião com aqueles que amamos e que partiram? O que devemos oferecer à morte? Pode-se fazer planos para a própria vida após a morte do corpo?

Somente o Corpo é Mortal

Os ensinamentos da Teosofia possuem poder especial para consolar os enlutados e para iluminar aqueles que buscam conhecimento sobre a vida após a morte.

A Teosofia tem poder para consolar porque afirma da maneira mais positiva que há uma vida além do túmulo, que somente o corpo morre, enquanto o imortal Filho de Deus, o verdadeiro Ego, vive eternamente.

A Teosofia reafirma o grande ensinamento na Bíblia (Os Apócrifos) que dá a solução para o problema da vida após a morte nas palavras: "Porque Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez imagem da sua própria eternidade." (A Sabedoria de Salomão, II. 23.) Uma Escritura Hindu afirma a mesma verdade:

" Nunca o espírito nasceu; o espírito nunca deixará de ser; Nunca houve tempo em que não fosse; Fim e Começo são sonhos! Sem nascimento e sem morte e imutável permanece o espírito para sempre; A morte não o tocou, morta embora a casa dele pareça." - O Cântico Celestial, Sir Edwin Arnold.

Aí, se pudermos recebê-la, está a resposta real à questão de saber se a vida continua após a morte.

A Teosofia ensina que a Alma Espiritual do homem, seu verdadeiro Eu divino, é imortal, eterna e indestrutível.

Além disso, esta Alma imortal do homem está evoluindo para a perfeição através das experiências de muitas vidas na terra.

É somente o corpo que morre e não o verdadeiro Eu do homem, a real individualidade por trás do véu corporal.

Tal, então, é a resposta à primeira de nossas perguntas.

Pesquisa por Percepção Extra-Sensorial

A Teosofia tem poder para iluminar também, porque mostra como o homem pode conhecer por si mesmo, ainda nesta terra, os fatos da vida além do túmulo.

Ensina que reside no homem uma faculdade por meio da qual o véu que oculta o mundo invisível de nossa visão pode ser rasgado e os atos e fenômenos desse mundo, as condições de vida nele, podem ser vistos, investigados e compreendidos.

Essa visão ampliada, que é um sexto sentido, latente na maioria, despertado em poucos, será usada de forma bastante normal e natural pelas Raças posteriores.

Quando desenvolvida nos dias de hoje, essa faculdade capacita seu possuidor a fazer o que as Raças posteriores da humanidade farão; ou seja, explorar em primeira mão e em plena consciência de vigília o mundo da vida após a morte, encontrar seus habitantes face a face e estudar com precisão científica as condições sob as quais eles vivem.

Esta é uma declaração impressionante e importante, que exige profunda consideração.

Devo pedir a aceitação da existência dessa faculdade como uma hipótese, suscetível de teste e prova no devido curso; pois quase todos os ensinamentos teosóficos concernentes aos mundos invisíveis são obtidos pelo uso de tal visão ampliada como instrumento de pesquisa.

Conhecimento direto e positivo está disponível e pode ser testado pelos meios apropriados de investigação; pois reside em cada um de nós um poder de vidência direta.

Como afirmei acima, essa visão ampliada está latente na grande maioria dos homens, está esporadicamente ativa em poucos e é suscetível de desenvolvimento por um processo de autotreinamento.

A existência de tal percepção extra-sensorial, ou PES, como agora é chamada, não está mais em dúvida.

Testes científicos, realizados sob as mais estritas precauções durante um longo período e com milhares de sujeitos, provaram que clarividência, clariaudiência e telepatia são poderes possuídos por grande número de pessoas.

[The Reach of the Mind (Penguin Series) e New Frontiers of the Mind (Pelican Series), Dr. J. B. Rhine]

Os Frutos Colhidos da Pesquisa

Através de todas as épocas, homens e mulheres, buscando resolver o mistério da vida, submeteram-se ao treinamento necessário para despertar da latência para a atividade esses poderes adormecidos com os quais todo homem é dotado.

Gerações de videntes, tendo despertado essas faculdades para uma atividade controlada, realizaram pesquisas sobre os aspectos normalmente invisíveis da Natureza e do homem.

Os frutos de suas investigações estão todos preservados e têm sido continuamente estendidos, verificados e contraverificados.

Como resultado, está disponível ao estudante de hoje um vasto tesouro de conhecimento sobre cada assunto para o qual a mente do homem pode se voltar.

Os gregos nomearam essa sabedoria das épocas de Theosophia, Sabedoria Divina, e o homem moderno possui um fragmento dela no que hoje é chamado de Teosofia.

CAPÍTULO II

O PROCESSO DE MORRER
A Aproximação da Morte

SE a existência da faculdade de visão ampliada for concedida — não o psiquismo negativo do médium em transe, mas um poder positivo, treinado, sob o controle da vontade, assim como é a visão física — então suponhamos que estejamos na câmara da morte, observando com o "olho vidente" a transição deste mundo para o próximo de alguém que morre de velhice ou doença.

Descobriremos imediatamente a resposta à nossa segunda pergunta: "Estava o falecido ciente da aproximação imediata da morte?" A resposta é: "Geralmente, não." A falha no suprimento de sangue, e assim de oxigênio, para o cérebro causa inconsciência, um processo que é exatamente como adormecer.

Mesmo que tenha havido sofrimento na proximidade da morte, esse sofrimento cessa antes do fim.

O que veremos enquanto o processo de morrer é diretamente observado? À medida que a hora da dissolução se aproxima, veremos as forças de vida do corpo sendo retiradas das extremidades e centradas no coração, ali visíveis como luz dourada brilhante.

Após isso, a sensação nos membros inferiores é grandemente diminuída.

Então, à medida que a morte se aproxima, as forças de vida são retiradas ainda mais para o meio da cabeça, para o terceiro ventrículo do cérebro, que é a sede da consciência Egoica durante a vida física.

A pessoa moribunda pode ou não estar ainda fisicamente consciente.

Se inconsciente, em coma que precede a morte, ela será visível à visão clarividente fora do corpo em seu veículo superfísico.

Este veículo é construído de matéria muito mais sutil que o éter, e em contorno assemelha-se quase exatamente ao corpo físico; é, de fato, sua contraparte.

Difere em aparência do físico em que a substância da qual é construído é autoluminosa, de modo que brilha como se iluminada por dentro, e é cercada por uma atmosfera que é visível como luz em cores constantemente mutáveis.

A Vestimenta Superfísica da Alma

Essas cores da aura, como é chamada, correspondem a estados de consciência e são vistas a variar com cada mudança de sentimento e pensamento.

De fato, existe uma verdadeira ciência à qual posso me referir de passagem — a ciência da correlação dos estados de consciência com as cores da aura.

Uma onda de simpatia por alguém em dor ou problema, por exemplo, inunda a aura com verde; esforço intelectual a inunda com amarelo.

Azul denota atividade devocional; lilás, espiritualidade; rosa aprofundando-se em carmesim, amor.

Vermelho é a cor da raiva e irritabilidade; marrom, do egoísmo — e assim por diante. Como afirmado, essas cores são visíveis à visão clarividente, de modo que, olhando para as auras das pessoas, é possível dizer o tipo de pensamentos e sentimentos aos quais elas habitualmente dão expressão, e assim descobrir seu temperamento e caráter.

Naturalmente, tal poder não é usado exceto com permissão e para fins de pesquisa.

O Cordão de Prata

Assim, a aura será visível ao redor da pessoa moribunda que, fisicamente inconsciente, está então fora de seu corpo físico e flutuando logo acima dele, mas está unida a ele por uma corrente de forças fluentes que brilham com uma delicada luz prateada.

Essa corrente flui entre as cabeças dos corpos físico e superfísico, conectando-os assim.

Enquanto continuar a fluir, há sempre a possibilidade de despertar físico.

Uma vez rompido, como no momento da morte, não há mais qualquer possibilidade de retorno.

Casos de aparente reanimação são, na realidade, apenas reavivamentos em corpos que não estavam mortos.

Isto é descrito no Cristianismo da seguinte forma: “Antes que o cordão de prata se solte, ou se quebre o copo de ouro [o duplo etérico], ou se despedace o cântaro [o corpo físico] junto à fonte, ou se quebre a roda junto ao poço.

Então o pó volte à terra, como o era; e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Eclesiastes, XII, 6, 7.)

O Cordão É Solto

A pessoa moribunda pode retornar temporariamente ao seu corpo e, ao abrir os olhos, pode ver alguns dos fenômenos do mundo vindouro e fazer referência a pessoas não fisicamente presentes.

Quando chega o momento real da morte, vê-se o “cordão de prata” romper-se e o próprio homem elevar-se, como se libertado de alguma atração gravitacional.

Embora não seja absolutamente certo, estou inclinado a pensar que o momento exato da morte para cada um de nós é fixo.

Seja isso assim ou não, o momento chega, o cordão se rompe, o homem está livre do seu corpo e não pode mais nele despertar.

Os sinais da morte então aparecem nele; sua obra está concluída.

A Vida Passada Revista

Em quase todos os casos, o homem está tão inconsciente do morrer quanto está de adormecer.

Ele passa, por assim dizer, num suspiro, deste mundo para o próximo.

Ele está geralmente envolvido num processo de revisão, no qual os eventos da vida recém-encerrada passam diante do olho de sua mente em perspectiva clara, causas e seus efeitos, sucessos e seus resultados, fracassos e seus desdobramentos, sendo vistos e correlacionados.

Este processo de revisão é muito importante, pois dele se destila uma certa sabedoria — o fruto da vida recém-encerrada.

É por esta razão que devemos, mental, emocional e fisicamente, permanecer em quietude na câmara da morte, para que, por um excesso de pesar, não perturbemos o ente querido neste importante processo.

Ele está agora vivendo em seu corpo mais sutil, o corpo do sentimento, e é, portanto, altamente sensível às forças do pensamento e da emoção.

Calmamente e com autocontrole, nossos pensamentos devem, com razão, voltar-se em amor para ele, e em bênção e aspiração pelo seu progresso para dentro, em direção aos mundos interiores.

Na Teosofia, somos ensinados a nos atermos não tanto à nossa própria grande perda, mas ao seu ganho transcendente; e ganho transcendente é estar livre do corpo físico e de suas limitações, uma vez que seu valioso trabalho está concluído e não antes.

Tal é, então, uma resposta teosófica à pergunta: “O falecido estava consciente do processo de morrer?”

CAPÍTULO III

PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS APÓS A MORTE

O Despertar

TERMINADA a revisão, geralmente segue-se um período de completa inconsciência que pode durar de trinta e seis a quarenta e oito horas, variando com o indivíduo.

Então ocorre o despertar e o falecido, frequentemente ainda sem perceber o que aconteceu, olha ao seu redor.

Em quase todos os casos, algum amigo ou parente o aguarda; ou, se não tiver ninguém para recebê-lo, então algum membro da grande banda de auxiliares cujo trabalho é saudar os recém-chegados avança para recebê-lo.

Tais auxiliares são membros de uma banda altamente treinada de servidores designados para este trabalho específico de assistir os novos arrivados.

[Auxiliares Invisíveis, C. W. Leadbeater.] Eles recebem os recém-chegados, explicam a mudança e os ajudam a se estabelecer nela o mais confortavelmente possível.

Poucos, se é que algum, nos dias de hoje entram naquele mundo sem que alguma mão se estenda para acolhê-los e assisti-los nos primeiros estágios.

Tal é uma resposta teosófica à pergunta: “Como se inicia a vida após a morte?”

Nenhuma Terra Estranha

Qual será a natureza desta vida? Neste ponto, vou dizer algo que talvez seja difícil de acreditar, mas, como sei que é verdadeiro e de grande importância, devo declará-lo. O mundo para o qual nossos amigos partiram, e para o qual todos nós iremos quando chegar a nossa hora, não é uma terra estranha; pois vamos para lá todas as noites enquanto o nosso corpo físico dorme.

O sono foi apropriada e verdadeiramente chamado de irmão gêmeo da morte.

Podemos ir mais longe e chamá-los da mesma coisa; pois enquanto o corpo físico dorme, estamos despertos no corpo que usaremos após a morte.

Nossos sonhos são, em parte, as memórias confusas da nossa vida naquele mundo que trazemos de volta ao despertar, como, por exemplo, o agradável, poético e flutuante movimento pelo qual nos deslocamos, impelidos pelo pensamento, nos mundos superfísicos.

Portanto, muito naturalmente, o mundo da vida após a morte se revela um lugar familiar.

A diferença entre o sono e a morte reside no fato de que, no sono, o “cordão de prata” que nos liga ao corpo não está rompido.

Na morte, o cordão é rompido e, como então não temos vínculo com o corpo físico, não podemos mais retornar a ele.

O mundo superfísico e o estado de consciência adentrados na morte consistem em duas divisões ou planos da Natureza: o emocional ou astral e o mental.

O primeiro, o emocional, contém habitantes humanos e angélicos, e cenários [O Plano Astral, C. W. Leadbeater.] e outras formas visíveis ao falecido.

O último, o mental, também tem seus próprios habitantes e fenômenos, mas a experiência do desencarnado enquanto ali vive é mais subjetiva e individual.

[O Plano Devachânico, C. W. Leadbeater.]

A Influência do Temperamento e do Caráter

O próximo princípio geral que desejo apresentar é que as condições em que uma pessoa se encontra após a morte dependem em grande parte do seu temperamento e da natureza da vida que levou no plano físico.

Cada um de nós vê o mundo ao nosso redor através das janelas do nosso temperamento.

O indivíduo de natureza ensolarada e amigável desperta após a morte para um mundo ensolarado e amigável; enquanto o hipocondríaco sombrio e egocêntrico pode despertar para um mundo monótono, sombrio e um tanto solitário — não porque esse mundo seja solitário, mas porque o indivíduo egocêntrico não inspira e é incapaz de dar amizade.

Felizmente, a dor, o tédio e o isolamento que tais pessoas criaram inconscientemente para si mesmas as impelem a mudar sua atitude perante a vida.

CAPÍTULO IV

ATIVIDADES VARIADAS APÓS A MORTE

O Cientista Após a Morte

Para passar agora de afirmações gerais a particulares, a pesquisa clarividente revela uma tendência nos recém-chegados a prosseguir, após a morte, formas sublimadas daquelas ocupações que mais os atraíam na Terra.

Assim, o investigador científico cujo ideal na Terra era a busca da verdade descobre que pode seguir a verdade ali como fazia aqui.

Ele também descobre que suas investigações são muito mais frutíferas porque deixou o mundo da matéria mais densa, está consciente em substância muito mais sutil e está mais próximo do mundo das causas.

É na consciência superior e no mundo das causas que a verdade e o entendimento residem.

O falecido descobre que muitos dos fatores na estrutura da matéria e na evolução que antes lhe estavam ocultos agora são objetivamente revelados.

As leis e forças sob as quais os átomos se combinam de certas maneiras para formar as moléculas dos diferentes elementos, o desenvolvimento do protoplasma à célula e da célula única ao homem — o grande mistério para o biólogo — essas coisas são compreendidas mais claramente ali; pois a operação da Mente Divina e Suas corporificações podem ser observadas em toda parte.

As forças fluentes das quais este mundo físico é um produto ilusório são visíveis como tais no mundo seguinte.

Os grandes engenheiros do Logos, os Seres que dirigem o fluxo dessas forças, operando e administrando os processos e leis da Natureza — as Hostes Angélicas — podem ser vistos em ação, e o investigador científico assim se encontra em um reino no qual seu trabalho é muito mais frutífero do que era na Terra.

De fato, no mundo pós-morte, encontram-se grupos de cientistas reunidos por afinidade de temperamento, absortos em sua habitual busca do conhecimento, equipados com laboratórios, observatórios e estações de pesquisa, e não apenas investigando, mas também ensinando.

Há, de fato, uma continuação da educação ali; educadores, como cientistas e todos os outros trabalhadores especializados, tendem a seguir sua própria inclinação, dedicando seu tempo a desvendar os problemas encontrados em seu trabalho e a levar esse trabalho a um estado de perfeição mais elevado do que era possível na Terra.

Às vezes, ideias assim descobertas no mundo interior são captadas por mentes encarnadas aqui na Terra; pois há considerável interação e intercâmbio de pensamento entre os habitantes dos dois mundos.

O Artista e a Busca da Beleza

Da mesma forma, o artista, aquele para quem a beleza é a meta, descobre que naquele mundo sua busca pode ser levada muito mais perto de sua consumação do que era possível no mundo da matéria física densa.

Se for pintor ou escultor, não precisa mais reproduzir com esforço seus conceitos nos pigmentos opacos da Terra, pois instantânea e automaticamente a matéria responsiva do mundo seguinte assume formas apropriadas ao seu pensamento.

Não apenas sua visão está objetivamente diante dele, mas ele descobre, para sua grande alegria, que pode refinar e remodelar até que a perfeição relativa seja alcançada.

Assim, porque os grupos são atraídos naquele mundo por afinidade de temperamento, e não por relação racial ou familiar, ele se encontra mais próximo de seus semelhantes, membro, provavelmente, de um dos muitos grupos de trabalhadores similares dedicados à busca da beleza, à descoberta de seus Eus Superiores através do meio do belo.

Música e Formas Musicais

Para o músico também o caminho está aberto para uma compreensão mais ampla e profunda de sua arte.

A música tem, nos planos internos, aspectos dos quais normalmente sabemos pouco aqui embaixo.

O músico descobre, por exemplo, que o som ali não é tanto ouvido quanto visto.

Se a música física é observada clarividentemente, vê-se que ela produz formas na substância brilhante e autoluminosa dos mundos internos; essa matéria viva e responsiva é lançada em formas cambiantes e iridescentes pelo som e pela intenção da música.

[Formas-Pensamento, A. Besant e C. W. Leadbeater] Nos planos internos também se pode ouvir o verdadeiro Cântico da Criação, aquela Palavra sempre proferida que é o tema da grande Sinfonia da Criação.

Essa exquisita responsividade da matéria dos mundos sutis a cada mudança de pensamento e sentimento é uma das primeiras descobertas que o estudante faz quando seus olhos internos são abertos.

Ele descobre, como todos os que entram nesses mundos na morte, que o pensamento é um poderoso poder, potente para afetar a vida dos outros, bem como para ajudá-lo em seu caminho, se ele o usar corretamente.

O Altruísta

O reformador, o servidor, o curador, o médico — cada um descobre, se puder entrar nela, um novo mundo de serviço se abrindo diante de si.

Se possuir o verdadeiro espírito do curador, o médico verá virem a ele em busca de ajuda homens e mulheres com mentes distorcidas e sentimentos torturados, pessoas que morreram com consciências inquietas, deveres deixados por fazer, vícios não conquistados, obliquidades de visão, complexos não resolvidos e outras perturbações psíquicas.

Tais condições são, em muito maior extensão, fontes de dificuldade ali do que aqui, pois aquele é o mundo da emoção.

Pessoas assim perturbadas necessitam grandemente dos serviços de um médico.

Há, de fato, uma grande hoste de trabalhadores dedicados a essa tarefa de reajustar e harmonizar aqueles que necessitam.

Negócios Deixados para Trás

O homem de negócios, nos primeiros dias após sua partida, tende a gravitar, por força do hábito, para suas antigas instalações comerciais; mas logo descobre que não pode afetar seus colegas.

Eles não respondem à sua presença nem aos seus pensamentos.

Eles nem mesmo sabem que ele está com eles.

Felizmente, porém, os interesses mais amplos e a maior liberdade da nova vida, o corpo responsivo e flutuante que ele está usando, sua percepção de que as principais causas dos negócios não obtêm aqui em sua nova esfera e que, consequentemente, não há muito com o que se ocupar nessa direção — todas essas coisas logo o afastam de suas preocupações físicas.

A vida após a morte pode, de fato, ser o começo de uma liberdade mais maravilhosa; pois as esmagadoras necessidades dos negócios que, sem dúvida para nosso próprio bem, nos mantêm ocupados aqui e tendem a acorrentar nossos pensamentos e sentimentos às coisas materiais, não mais existem.

A comida, por exemplo, embora seja uma das principais causas de esforço comercial e pessoal no plano físico, deixa de ter qualquer significado na vida após a morte, pois todo o alimento de que nossos corpos sutis necessitam é absorvido automaticamente da atmosfera.

O ar ali, como aqui, está carregado com a força de vida de Deus, derramada através do sol, e contém tudo o que é necessário para a sustentação do corpo naquele mundo.

Todo o processo de sua absorção e assimilação é tão inconsciente quanto é a respiração no plano físico.

A comida, consequentemente, não é uma fonte de atividade comercial.

O vestuário é feito pelo pensamento.

Visto que a matéria do próximo mundo responde instantaneamente ao pensamento, pensar em si mesmo vestido é estar vestido.

Embora se encontrem pessoas vestidas em vários modos de traje, na moda de seu próprio dia ou Raça, a vestimenta mais geral pareceria ser uma roupa conveniente e solta, cuja cor e decoração podem ser mudadas instantaneamente à vontade.

O transporte não depende do trabalho de outros.

Nos mundos superfísicos, movemo-nos impelidos pelo pensamento.

Pensar em si mesmo em um lugar é mover-se para esse lugar, rápida ou lentamente à vontade, por um delicioso movimento flutuante, como se estivesse voando.

Sonhos com o corpo leve e facilmente elevado, ou deslizando suavemente ou rapidamente pelo ar, são frequentemente memórias do modo normal de progressão no mundo da vida após a morte.

O abrigo, a quarta das grandes fontes de negócios e esforço humano no plano físico, também é criado pelo pensamento no próximo mundo.

Ali, como aqui, as pessoas se reúnem em formas-pensamento de casas e cidades.

A privacidade é necessária na vida após a morte, assim como é necessária na terra, mas não o abrigo contra o clima, pois nossas condições climáticas adversas não são reproduzidas ali.

Assim, a vida naquele mundo pode ser tão variada e fascinante quanto a vida nesta terra; de fato, mais ainda, pois não há apenas uma variedade quase infinita de atividades dentre as quais escolher, mas cada atividade pode ser perseguida mais longe e por um período de tempo mais longo do que na terra, onde certas necessidades prementes fazem suas exigências.

Há, por exemplo, não apenas centros para a vida infantil e serviços para o recém-chegado e para aqueles que necessitam, mas também todas as atividades mentais normais e saudáveis dos seres humanos que buscam maior luz e alegria e utilidade ao longo das linhas do conhecimento, do amor e da beleza.

Religião e a Vida Religiosa

Há também centros religiosos, e entrar numa igreja naquele plano é descobrir que a religião eleva o adorador a alturas muito maiores do que as geralmente alcançadas na terra.

Isso se deve em parte ao fato de que os objetos de adoração são visíveis, sendo criados pelo pensamento, e em parte porque a emoção ali é mais pura e mais poderosa.

No extremo leste da igreja não haverá tanto símbolos e vitrais, mas sim imagens vivas, talvez dos Salvadores do mundo, ou dos Santos ou das Hostes Angélicas.

Esses fantasmas criados pelo pensamento humano são usados como representações vivas nas quais seus grandes Originais derramam parte de Seu amor e consciência, e que Eles usam como canais para o derramamento de Sua bênção e poder.

Visto que tudo isso é visível para o adorador ali, os serviços religiosos evocam um fervor e uma profundidade de resposta raramente experimentados aqui embaixo e proporcionam uma crença religiosa fundada muito mais na experiência viva do que na fé cega.

A Vida nos Mundos Intermediários é apenas Transitória

Não há, no entanto, permanência em nenhuma dessas condições e estados de consciência.

Toda pessoa normal que morre de morte natural passa pelos mundos da emoção e da mente com velocidades variadas, até que o centro de vida e percepção que havia sido encarnado no corpo físico seja retirado para sua Fonte, que é o Ego no Corpo Causal.

Embora haja exceções, esta é a regra geral, e o tempo gasto no mundo intermediário, astral, após a morte depende em grande parte do grau de espiritualidade ou materialismo no caráter e nos interesses do falecido.

O ideal, naturalmente, é passar o mais rapidamente possível pelos mundos da emoção e do pensamento analítico para a beatitude da vida celestial, e mais tarde para a plena reabsorção no Eu Superior.

Tais são, brevemente, as respostas teosóficas às três perguntas: "A que condições a Alma desperta após a morte?", "Há continuidade de personalidade, com memória, afeição, simpatia e interesses contínuos?" e "Há tempo, negócios, trabalho, pressão ali, ou está alguém livre destes na vida após a morte?"

CAPÍTULO V A REUNIÃO DAQUELES QUE AMAM O Próprio Amor é Imortal

UMA VEZ que o luto é a sorte certa de cada um de nós, é inevitável que muitas vezes ao longo de nossas vidas nos perguntemos se a morte significa uma separação final, ou se de alguma forma e em algum lugar nós e nossos entes queridos nos encontraremos novamente.

O que a Teosofia tem a dizer sobre este problema humano premente? Encontrar-nos-emos novamente ou a morte traz a extinção da identidade humana e, assim, o fim do relacionamento humano? A Teosofia responde: "Sim, muito definitivamente, aqueles que amam serão reunidos." Nada, nem a morte nem o renascimento, pode romper os laços do verdadeiro amor.

O próprio amor é imortal e é, além disso, a força mais poderosa do universo.

A reunião é, portanto, totalmente assegurada para todos aqueles que verdadeiramente amam.

O Tempo e o Lugar da Reunião

Quando, onde e como encontraremos nossos entes queridos novamente? A natureza humana é tão diversa e a vida humana tão complexa, que uma exposição do assunto da reunião não pode ser inteiramente simples.

Embora a Teosofia ensine que a reunião é assegurada, isso não ocorre necessariamente sempre nos mundos intermediários nos quais se entra diretamente após a morte.

O tempo é um fator a ser considerado.

Se morrermos poucos meses após a sua morte, então vamos diretamente para a presença dos nossos entes queridos que partiram antes.

Se vários anos intervêm e eles se retiram para a condição celestial de consciência, então, quando chegar a nossa hora, haverá um breve período sem eles até que nós, por nossa vez, entremos no nosso mundo celestial.

Então uma grande revelação nos será dada. Veremos e saberemos que, mentalmente, em termos da sua consciência, estivemos com eles no seu céu desde que ali entraram; pois o céu jamais poderia ser céu sem a presença daqueles que amamos.

Muitas Moradas

Será esta uma ideia difícil demais para compreender? Sei que este conceito teosófico de um céu individual, autocriado, no qual ocorre o reencontro, parece à primeira vista contrário à doutrina cristã, por exemplo.

Peço-lhes, contudo, que não o rejeitem apressadamente, pois é uma verdade muito bela e que, além disso, não conflita realmente com o cristianismo original; pois Nosso Senhor a ela se referiu, dizendo: "Na casa de meu Pai há muitas moradas". (João, XIV.2.) Em termos simples, pode-se dizer que quando aqueles que nos amam morrem e entram no seu céu, o seu pensamento e o seu amor constroem para eles uma forma de nós que está sempre presente aos seus olhos.

Isto não é apenas uma forma-pensamento; pois nós, nos nossos Eus essenciais, como Inteligências espirituais, usamos imediatamente essa forma-pensamento, como é chamada, como veículo para comunhão e companheirismo.

Quando morrermos, descobriremos que estivemos plenamente presentes com eles todo o tempo.

Nós, por nossa vez, seremos similarmente cercados por todos aqueles que amamos.

Cada um de nós tem, assim, o seu próprio céu individual após a morte, onde, em perfeita bem-aventurança e paz, desfrutaremos do reencontro com todos aqueles que verdadeiramente amamos.

Reencontro na Terra

Isto, porém, não é tudo.

Como já disse, também é certo que encontraremos novamente os nossos entes queridos fisicamente.

Esta é uma parte adicional da grande e consoladora revelação da Teosofia, que ensina que, após a vida celestial, que geralmente dura muitos séculos de tempo terrestre de perfeita bem-aventurança, faz-se um retorno à terra.

O ensinamento de que o homem evolui espiritualmente até a perfeição através de vidas sucessivas na terra é, segundo a investigação, literalmente verdadeiro.

As Almas espirituais dos homens são, de fato, repetidamente renascidas em novos corpos.

Em cada vida, elas desdobram um pouco mais os seus poderes inatos, desenvolvem faculdades adicionais, alcançam sabedoria mais profunda, maior discernimento, amor mais nobre, e este processo culmina na aquisição da estatura do homem perfeito.

[Para uma consideração mais completa desta doutrina, ver Reincarnation: Fact or Fallacy? Geoffrey Hodson, T. P. H., Adyar.] Nestes renascimentos contínuos, nós que amamos profundamente temos a certeza tanto de nos encontrarmos novamente quanto de amarmos novamente.

De fato, as camaradagens e os afetos desta vida, quando muito fortes, são quase certamente continuações ou renovações dos mesmos vínculos formados em vidas anteriores.

Os pais que nos proporcionam os nossos novos corpos são frequentemente eles próprios entes queridos do passado.

Nossos irmãos e irmãs na família podem estar ligados a nós por laços de encarnações anteriores.

Nossos colegas e colaboradores, muitos dos nossos concidadãos, agora trabalham conosco, vivem perto de nós, são felizes e infelizes conosco, porque forjamos laços uns com os outros em vidas anteriores e essas experiências passadas nos aproximaram novamente na vida presente.

Se surgirem em nossa vida uma ou mais pessoas especiais que evocam de nós o mais profundo amor, cuja presença é uma alegria, cuja ausência é uma perda, então podemos ter a absoluta certeza de que, vindo do passado, ocorreu um reencontro.

O Amor como Renovação de um Vínculo Anterior

Esta é a razão da estranha seletividade e da extraordinária potência da experiência chamada "apaixonar-se". Embora os incidentes reais do passado não sejam geralmente lembrados — às vezes o são — o coração é movido pelo reencontro, reconhece, saúda e ama mais uma vez o ente querido de outrora.

Assim, a separação causada pela morte, que parecia tão definitiva, não o é realmente. O decreto de separação não é irrevogável.

Pelo contrário, o reencontro é garantido, tanto no céu após a morte quanto, repetidamente, aqui na terra.

Um dia, em virtude destas nossas vidas sucessivas e de todas as suas múltiplas experiências, o propósito da existência humana será cumprido.

A evolução nos levará a "homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Efésios, IV. 13), como São Paulo descreveu belamente o ápice da realização humana.

Então, é claro, a ilusão da morte terá sido dissipada.

Então a separação não existirá mais, pois viveremos na plena realização da nossa natureza imortal e espiritual.

CAPÍTULO VI

SUICÍDIO — O Motivo Altruísta

NOS capítulos anteriores, foram consideradas as condições normais após a morte.

Certos desvios do normal ocorrem em casos de suicídio e de morte súbita e prematura.

Pelo menos três variedades de experiência pós-morte seguem-se ao suicídio.

Quando cometido por motivos altruístas, após o choque que geralmente acompanha a morte súbita ter passado, a pessoa se estabelece na nova vida sob as condições anteriormente descritas.

Geralmente não há coma nesses casos, e nenhum tempo no qual a pessoa possa gradualmente se reajustar às condições alteradas da vida.

O Motivo de Fuga

Aqueles que tiram a própria vida para escapar de condições inaceitáveis podem mergulhar na inconsciência imediatamente ao deixar o corpo físico, e permanecer nessa condição até o momento da morte natural.

Então despertam e ficam sujeitos às leis e condições apropriadas.

É este ato de despertar quando o termo natural da vida física teria terminado que sugere que, à parte de acontecimentos anormais como o suicídio, há um tempo de morte natural — fixado em parte pela nossa conduta, é claro — para cada um de nós.

Vítimas do Desejo

A experiência daqueles que cometem o terceiro tipo de suicídio é ainda menos invejável.

Grosseiros e sensuais, eles terminaram a sua existência física no pleno fluxo da vida, impelidos pela paixão ou pelo medo.

Os seus fortes desejos então os mantêm ligados à terra.

Eles podem ver a réplica em matéria sutil do plano físico e viver em um mundo intermediário — entre este e o próximo.

Impulsionados por desejos e paixões que não podem satisfazer, buscam gratificação entrando em lugares de indulgência sensual no plano físico e tentando unir sua consciência à do bêbado ou do sensualista que ali se entrega.

Em tais circunstâncias, as pessoas do plano físico experimentam uma intensificação de seus desejos, de modo que a relação, mesmo que a ignorem, pode ser tão prejudicial para elas quanto para as almas presas à terra que buscam gratificação através delas.

O Suicídio, um Erro Profundo

Para o Teosofista possuidor desse conhecimento, o suicídio é sempre um erro.

Ele resolve temporariamente certos problemas, é verdade, mas também levanta novos; pois, eventualmente, toda obrigação deve ser cumprida, toda dívida paga, toda dor vivida.

"Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também colherá." (Gálatas, VI. 7.) É mais sábio, portanto, aceitar e suportar as dificuldades, por mais dolorosas que sejam, do que perpetuá-las e intensificá-las por meio de tentativa de evasão e da complicação adicional do autassassinato, cuja reação cármica pode afetar adversamente encarnações sucessivas.

CAPÍTULO VII

O PURGATÓRIO — Sofrimento Autocriado

A pessoa que morre nas garras de um vício sofre severamente após a morte física.

Ela então vive em seu corpo emocional e, consequentemente, experimenta seu desejo particular com uma intensidade desconhecida quando a matéria de seu corpo físico o reduzia ou amortecia grandemente.

Sem meios de gratificar o vício, ele se extingue nela, às vezes através de sofrimento agudo.

Se existe um Inferno em algum lugar, então é essa condição de desejo forte e insaciável.

Tal Inferno difere, no entanto, em pelo menos quatro aspectos do Inferno da religião ortodoxa.

Primeiro, não é um lugar; é um estado de consciência, como também o é o Céu.

Pode-se estar em qualquer um deles, de acordo com a condição da própria consciência, onde quer que o corpo esteja. Segundo, esse sofrimento não é imposto como punição após julgamento por uma autoridade externa; é autoproduzido, como o são todo sofrimento e toda alegria.

Ambos são "colheitas" automáticas de "semeaduras" precedentes. Terceiro, o sofrimento causado pelo desejo insatisfeito não é eterno.

Nem mesmo um pai humano seria tão ilógico e cruel a ponto de condenar seu filho à punição perpétua por um pecado cometido no tempo.

Pelo contrário, o sofrimento pós-morte resultante de um vício não conquistado dura apenas enquanto durar a energia gasta em sua indulgência continuada.

Quando essa se extingue, o homem fica livre dela e entra na vida pós-morte normal.

Lição Aprendida e Progresso Alcançado

A última das diferenças entre a realidade e as ideias cristãs ortodoxas sobre o Inferno é que tal sofrimento não é de modo algum uma experiência inútil.

Pelo contrário, pode ser muito frutífero; pois se imprime na consciência do sofredor com força suficiente para afetar a próxima encarnação física, na qual ele provavelmente nascerá com repugnância ao vício que causou tanta dor.

É sem dúvida por tais razões que as condições imediatamente além do túmulo são consideradas purgatoriais.

"Acidentes"

O Teosofista instruído não pode admitir acidentes no sentido aceito da palavra.

Toda experiência do homem ao longo do ciclo de vida, que consiste na descida ao nascimento, nascimento, vida física, morte e ascensão ou retorno, é autocriada sob a lei de causa e efeito.

Nenhuma mínima injustiça para com qualquer ser humano é jamais considerada possível.

O homem é seu próprio legislador, o decretador de seu próprio destino físico. A morte súbita pode causar um choque temporário.

A catástrofe pode trazer pânico.

O conhecimento de más ações praticadas na Terra e a voz da consciência podem torturar a mente.

Pode haver um vício não conquistado, obrigações não cumpridas, conflitos e complexos psicológicos não resolvidos, anseios profundos nunca gratificados, e esses podem e causam algum sofrimento temporário após a morte.

Felizmente, há ajuda disponível.

Os Auxiliadores recebem, acalmam e guiam aqueles que estão necessitados, encontrando assim na vida após a morte uma continuação e uma extensão do serviço que prestaram, ou ansiaram prestar, na Terra.

CAPÍTULO VIII

O SOLDADO APÓS A MORTE — Morte em Batalha

Soldados que são mortos às vezes assumem a tarefa de ajudar os recém-chegados e, não raramente, a princípio, em favor de seus próprios camaradas que imediatamente os seguem.

Como foi dito, no momento da morte normal, o falecido geralmente está ocupado em rever a vida que acaba de se encerrar.

Na morte súbita, no entanto, em muitos casos não há nem revisão nem pausa tranquila.

Um breve instante sozinho separa a consciência neste mundo da percepção no próximo.

O militar, que geralmente se encontra elevado no ar, é portanto capaz de olhar para baixo, para seu corpo falecido e, se estivesse usando um na ocasião, para o avião ou veículo destruído.

Em consequência, ele compreende rapidamente o que aconteceu e percebe o fato fundamental de que, embora seu corpo tenha morrido, ele ainda vive. Ele se encontra mais plenamente vivo do que nunca, mais carregado de vitalidade e desfrutando de maior liberdade de vida e movimento do que conhecera na Terra.

A menos que algo muito dramático esteja ocorrendo ao seu redor, pensamentos sobre a família e o lar geralmente o conduzem, impulsionado pelo pensamento, à presença daqueles que ama — sua família.

Ele não pode deixar de sofrer por eles diante da dor que sabe que em breve será deles.

Ajuda Invisível

Como quase todos os que morrem e pensam em seus entes queridos ainda na Terra, ele anseia trazer-lhes a garantia de que não há morte, que apesar da passagem do corpo, ele ainda vive, ainda ama, ainda os visita.

Às vezes, seu pensamento forte permite que alguém o veja, ou saiba intuitivamente que ele deixou seu corpo e está presente em uma forma mais sutil.

Então, a memória de seus camaradas e os hábitos da vida de soldado, geralmente, o levam de volta à vizinhança de sua unidade militar.

Lá ele encontra, saúda e é ajudado por companheiros que o precederam no outro mundo, vê outros que chegaram mais recentemente e, por sua vez, pode começar a ajudá-los assim como foi ajudado.

De fato, muitos membros das Forças mortos em batalha tendem a se absorver no sistema altamente organizado de ministração aos companheiros feridos, moribundos e falecidos, que está em plena operação em todas as guerras.

Isso os ajuda enormemente e, enquanto assim servem, crescem em conhecimento e em poder, descobrindo e percebendo em operação as leis e os processos da evolução humana até a estatura do homem perfeito.

Reencarnação Rápida, Retendo os Corpos Emocional e Mental Existentes

Eventualmente, o soldado morto em batalha ou se retirará para os reinos mais sutis, superfísicos, como fazem todos aqueles que deixaram seus corpos naturalmente, ou poderá renascer rapidamente, começando a vida física mais uma vez como uma criancinha, mas retendo sua personalidade adulta.

As vantagens evolutivas de uma reencarnação tão rápida podem ser consideráveis e podem permitir-lhe avançar muito mais rapidamente do que o normal em direção à sua meta espiritual.

Conhecimento, faculdade, experiência e poder acrescidos, e a oportunidade de cumprir os desejos e as aspirações da vida precedente, que normalmente teriam sido adiados até o próximo nascimento — estas são algumas das vantagens imediatamente obtidas quando um soldado falecido aceita esse privilégio especial de reencarnação rápida.

Memória Instintiva

Em um caso interessante entre muitos conhecidos, uma criança de guerra começou, bem jovem, a marchar pelo jardim da família carregando um bastão no ombro e gritando ordens para tropas invisíveis! Nada no ambiente ou na experiência da criança na vida presente poderia ter contribuído para tal instinto.

Quase certamente surgiu do fato de que, dentro do corpo da criança, estava um soldado recentemente falecido, agora renascido.

Tais reencarnações rápidas ocorrem não raramente no país, e até mesmo no ambiente, de onde o soldado falecido havia vindo.

A reunião e a renovação dos doces laços da vida anterior não são, portanto, de modo algum impossíveis, mesmo que a lembrança e o reconhecimento diretos possam geralmente ser retidos.

Coragem no Luto

Antes de deixar este aspecto do nosso assunto, permita-me citar algumas linhas do livro recente de Lord Moran, The Anatomy of Courage.

Escrevendo sobre a morte precoce que pode sobrevir aos soldados, ele diz: "Contudo, é uma bela e livre partida, este fim no campo.

Chega a um homem na primavera da vida, antes que a idade e a doença tenham maculado seu corpo e o tráfego das cidades tenha manchado sua alma.

Ele viveu sua breve virilidade entre homens, conhecendo o que há de melhor neles, e partiu intocado e invicto pela luta mesquinha de um mundo em paz."

O seguinte poema de Nigel Tangye, que apareceu no The Spectator, de Londres, durante a Batalha da Grã-Bretanha na Segunda Guerra Mundial, exemplifica uma atitude ideal e corajosa diante de todo luto, e mais especialmente diante da perda súbita de um ente querido em batalha:

"Na segunda-feira, na primeira página do Times, li Um aviso in memoriam dos mortos

De 'Pamela', Referindo-se brevemente à morte Na quinta-feira passada de Michael .... R.A.F. E abaixo dele estava este monumento de fé

'Um dos nossos pilotos está a salvo.'."

CAPÍTULO IX

A CRIANÇA APÓS A MORTE Procedimento Alternativo

A criança, após a morte, ou completa com muito menos consciência do que o adulto o ciclo de vida normal através dos planos emocional e mental de volta à Egoidade, ou reencarna rapidamente.

No primeiro caso, na segunda morte, como às vezes é chamada, o corpo emocional é deixado de lado e a consciência funciona no corpo mental, encontrando nele perfeita felicidade e paz.

Este estado corresponde, em certa medida, ao Paraíso da ortodoxia.

Nele, a criança colhe, como fazem todos os que completam o ciclo de nascimento e morte, os frutos de tais aspirações idealistas e espirituais que possa ter tido idade suficiente para experimentar.

O corpo mental é então deixado de lado e a consciência que fez a peregrinação é retirada para a Interioridade, enriquecida pelas experiências pelas quais passou.

Pais Enlutados Recebem Seu Filho Novamente

A reencarnação rápida, no entanto, também pareceria ser bastante geral, especialmente.

no caso de crianças que morrem bem jovens.

Alguma dívida para com a Natureza, incorrida por uma transgressão em uma vida anterior, foi agora paga.

O caminho está então aberto para uma reentrada bem-sucedida na encarnação física, com todas as suas vantagens evolutivas, retendo-se os mesmos corpos mentais e emocionais juvenis.

Se a mãe estiver grávida novamente dentro de dois ou três anos, o novo corpo de bebê pode muito bem ser o veículo para o Ego da criança que havia morrido.

Algumas mães parecem instintivamente saber que a mesma Alma espiritual retornou a elas.

Muitas me asseguraram isso, e do seu interesse e prazer em notar como a aparência e as inclinações naturais da nova criança apoiavam essa suposição.

A nova encarnação então continua seu curso normal.

Reunião Garantida

Assim, vemos que mesmo que nossos filhos falecidos não retornem a nós, não os perdemos totalmente; eles ainda estão conosco, como estão todos os nossos entes queridos falecidos, e estão aqui e agora e ao nosso redor, mas temporariamente fora da nossa perspectiva.

Embora geralmente não os vejamos, por falta da visão necessária, eles nem nos deixaram definitivamente nem cessaram de existir.

Se verdadeiramente os amamos, nossos Eus imortais são um com os deles por toda a eternidade, e quando dormimos podemos ter sua companhia pessoal.

Quando chegar a nossa hora de entrar nos mundos superiores, nós os encontraremos, e nessa reunião perceberemos a unidade infalível de todos os que verdadeiramente amam.

CAPÍTULO X

COMO SE PREPARAR PARA A MORTE O Céu Que Nos Aguarda

A retirada gradual do material em direção aos mundos mais espirituais, que normalmente começa na morte, culmina na entrada em perfeita felicidade e realização: Este estado de contentamento supremo é um céu de fato; pois nele toda aspiração é cumprida, todo sentimento de amor altruísta é completamente expresso.

No céu para o qual o falecido se retira nesta segunda fase da vida após a morte, todos os entes queridos são percebidos como intimamente presentes; toda verdade, toda beleza, toda paz, todo amor e felicidade que o falecido é capaz de experimentar curam, elevam e reorientam a Alma após sua estada essencial e frutífera na terra.

Aqui, também, percebemos a operação precisa da lei de causa e efeito; pois todas as experiências após a morte são os efeitos de causas postas em movimento durante a vida terrena.

Sua riqueza também é exatamente proporcional à profundidade dos sentimentos, pensamentos e aspirações causais.

Em toda parte, e assim tanto aqui quanto no além, há lei, aquela lei de causa e efeito que assegura justiça a todo ser humano.

Uma vida física nobre, bondosa e altruísta é, portanto, a melhor preparação para a vida após a morte.

Não Há Nada a Temer

O que deveríamos oferecer à morte? Certamente, não o medo, mas antes um acolhimento, quase como se fizéssemos as malas para um feriado após as experiências árduas, porém essenciais e valiosas, da vida na terra.

Alguém, de fato, escreveu sobre a aproximação iminente da morte:

"A alma está fazendo as malas e prestes a alçar voo, Como andorinhas que partem quando buscam a primavera."

Pode-se fazer planos para a própria vida após a morte do corpo? Certamente que sim, pois, como acabei de dizer, a lei de causa e efeito opera da vida física para a vida superfísica.

Cada um de nós, portanto, está continuamente criando suas condições pós-morte por meio de seus pensamentos, motivos, sentimentos, palavras e ações diários.

Se vivemos de forma nobre, bela e altruísta enquanto estamos na terra, asseguramos para nós mesmos uma medida correspondente de felicidade no além.

Não Há Morte

Descobrimos, assim, que na morte física não há nada a temer.

Raramente um indivíduo está consciente da partida final do corpo.

Ele se desliza como no sono, tranquila e pacificamente, sem dor.

A morte, para a maioria das pessoas, é uma libertação para uma vida mais livre e mais feliz.

O nascimento não é o começo da existência humana.

A morte não é o seu fim.

Somente o corpo nasce no nascimento físico.

Somente o corpo morre na morte física.

Tanto o nascimento quanto a morte são incidentes recorrentes na longa série de vidas terrenas, por meio das quais somente somos habilitados a ascender ao pleno conhecimento espiritual de nossos verdadeiros e imortais Eus ou, em outras palavras, ao Adeptado.

Pois esse verdadeiro Eu não conhece morte.

Cada um de nós é um imortal Filho de Deus.

A morte existe apenas no olho que a contempla, tocando somente o corpo físico, cuja libertação nos liberta em grande medida do poder ofuscante da matéria.

O corpo físico e a matéria do mundo físico tantas vezes nos ocultam as realidades espirituais que estão ao nosso redor e dentro de nós, assim como o véu do dia oculta as estrelas sempre brilhantes.

CAPÍTULO XI

AS SETE VESTES DA ALMA

A solução plena e pessoal do problema da sobrevivência consiste, primeira e principalmente, na experiência pessoal da imortalidade, no saber que a própria Essência do Eu é independente da existência física, é distinta de seu invólucro físico temporário.

Essa experiência está ao alcance daqueles que ainda vivem na terra.

Pela pureza de vida e pela contemplação diária regular do Espírito interior, que é o verdadeiro Eu, o "Deus vivo", do qual o corpo é um templo, esse Eu interior pode ser descoberto e sua imortalidade conhecida diretamente.

Como mostra a lista de livros no final desta obra, a literatura teosófica oferece orientação nesse pensamento reflexivo e na meditação sobre as verdades mais elevadas.

A chave mais mental para o problema da sobrevivência e das condições após a morte consiste no conhecimento dos sete corpos do homem.

São eles:

O corpo físico,
O duplo etérico,
O corpo emocional ou astral,
O corpo mental inferior; veículo do pensamento concreto,
O corpo mental superior, veículo do pensamento abstrato,
O veículo da intuição,
O veículo da vontade espiritual.

Os Dois Diagramas

Os dois diagramas que aparecem nas duas páginas seguintes ilustram parcialmente essa classificação.

A Figura 1 mostra os sete corpos do homem durante a vida, o triângulo apontando para cima representando a Tríade Espiritual, o Eu Imortal do homem, e o triângulo apontando para baixo a personalidade mortal.

Os círculos nos quais ambos os triângulos estão encerrados referem-se à aura radiante do Eu Superior do homem.

[Man, Visible and Invisible, C. W. Leadbeater.]

A Figura 2 retrata as mudanças que ocorrem no momento da morte e mostra quão relativamente insignificantes elas são.

O corpo físico e seu duplo etérico são separados do restante da pessoa falecida, que então fica dotada de apenas cinco veículos de consciência.

Os dois círculos que representam as auras Egoica e pessoal, no entanto, começaram a se fundir, indicando o processo que geralmente se inicia na morte, de gradual recolhimento no Eu espiritual dos atributos superiores da alma pessoal.

O Fantasma

Na morte, então, o corpo físico e o duplo etérico, que é o recipiente da vitalidade física, são postos de lado.

Eles se desintegram quase juntos, geralmente o duplo etérico conformando-se à forma do corpo físico durante todo o processo.

No enterro comum, isso ocupa um certo período de tempo, durante o qual o duplo etérico pode se separar do corpo físico e flutuar na superfície do túmulo ou no ar imediatamente acima dele. Esta é uma das formas do fantasma ou espectro de uma pessoa falecida, e pode, sob certas condições, tornar-se temporariamente animado e mais prontamente visível.

Na cremação, tanto o corpo físico quanto o etérico são rapidamente destruídos.

A Segunda Morte e a Casca

O Eu interior tríplice está então vestido nos corpos da emoção e do pensamento concreto.

Usando-os como veículos de consciência com variados graus de percepção, a Alma passa pela fase astral intermediária da vida após a morte.

Por fim, o corpo emocional é posto de lado no que me referi anteriormente como a segunda morte, e lentamente se desintegra.

Sob certas circunstâncias, ela também pode ser temporariamente animada, como pelo fluido magnético de um médium e círculo espiritualista, espíritos da natureza, pessoas falecidas ou magos.

Quando assim animada, essa "casca" pode exibir alguma memória da vida física e algumas das características da personalidade física.

No entanto, não pode originar ideias, nem geralmente se comunica através de médiuns com uma inteligência igual à que a pessoa possuía na Terra.

Este corpo astral descartado não deve ser confundido com o verdadeiro Espírito do homem, o Morador do Íntimo, e não pode ser propriamente referido como "um espírito".

O Ciclo Completo

Quando o corpo físico é deixado de lado, o centro de consciência é retirado, rápida ou lentamente, conforme a condição do falecido, através do mundo intermediário ou astral, gradualmente se estabelecendo no corpo mental, o instrumento do pensamento concreto.

Como descrito anteriormente, a felicidade beatífica de uma existência semelhante ao céu é então lentamente adentrada.

Isso, em última análise, chega ao fim; o corpo mental é, por sua vez, descartado e a consciência é então focada inteiramente no Augoeides, o corpo de luz, o Corpo Causal, o veículo do intelecto abstrato.

O ciclo humano de ida e retorno assim completado, o processo de reencarnação em um novo conjunto de veículos mortais geralmente começa.

A Separação do Inferior do Superior

No processo de retirada do centro de autoconsciência dos veículos físicos para os espirituais, ocorre gradualmente uma separação dos atributos espirituais da personalidade falecida de seus instintos, impulsos e recordações inferiores.

Como afirmado anteriormente, as qualidades superiores são atraídas para dentro do Eu Interior e o remanescente inferior é descartado.

O Ego Imortal, a individualidade espiritual, de Vontade, Sabedoria e Inteligência Abstrata, existe então em uma condição de beatitude que é referida como uma vida celestial ou uma vida semelhante ao céu e que na filosofia hindu e budista é chamada de Devachan, ou "o lugar dos Deuses". A personalidade autoconsciente do falecido como era na Terra, com seus sentimentos superiores, aspirações, afeições e até gostos; ou melhor, a essência superior de tudo isso, entra no Devachan.

Os sentimentos, desejos e tendências mais sensuais da personalidade tardia não podem experimentar o Devachan.

Eles são deixados para trás para flutuar na atmosfera terrestre com seu veículo, o corpo astral, à medida que se desintegra, sendo seus elementos devolvidos às fontes das quais foram originalmente extraídos para formar o corpo.

O Homem, Mortal e Imortal

A Teosofia ensina, portanto, que o homem é um septenário durante a vida, uma quíntupla imediatamente após a morte e, mais tarde, uma quaternidade e uma tríade no Devachan.

O princípio da individualidade na natureza espiritual e imortal do homem está centrado no veículo do Intelecto Abstrato, ele próprio uma vestimenta nesse nível de Sabedoria Espiritual e Vontade Espiritual.

Assim, a individualidade interior é uma tríade, uma Divindade trina dotada das faculdades de Vontade, Sabedoria e Inteligência, e esta, como princípio animador, está conectada durante a encarnação com os quatro corpos pessoais por meio do Sûtrátma ou fio de vida, o "cordão de prata".

Um Poder e Uma Vida

Apesar dessa classificação septenária dos princípios ou corpos do homem, deve-se lembrar que todos são manifestações de uma única Entidade espiritual, divina e humana.

Após a morte, os atributos e princípios puramente humanos e terrestres são descartados, enquanto aquela porção da Essência divina do princípio mental superior que permanece imaculada sobrevive.

Isso, unido à Sabedoria espiritual e à Vontade espiritual do Ego, constitui o Eu Imortal do homem, que é imune à morte e evolui para o Adeptado em virtude de vidas sucessivas na Terra.

Um Professor Adepto descreveu o processo de revisão da vida física, que ocorre na morte do corpo, nestas palavras: "No último momento, toda a vida se reflete em nossa memória e emerge de todos os cantos e recantos esquecidos, imagem após imagem, um evento após o outro.

O cérebro moribundo desaloja a memória com um forte e supremo impulso, e a memória restaura fielmente cada impressão que lhe foi confiada durante o período de atividade do cérebro.

Essa impressão e pensamento que era o mais forte naturalmente se torna o mais vívido e sobrevive, por assim dizer, a todo o resto, que agora desaparece para sempre, para só reaparecer no Deva Chan.

Ninguém morre insano ou inconsciente - como alguns fisiologistas afirmam.

Mesmo um louco, ou alguém em um acesso de delirium tremens, terá seu momento de perfeita lucidez no instante da morte, embora incapaz de dizê-lo aos presentes.

O homem pode muitas vezes parecer morto.

No entanto, desde a última pulsação, desde e entre o último latejar de seu coração e o momento em que a última centelha de calor animal deixa o corpo - o cérebro pensa e o Ego revive, nesses poucos breves segundos, toda a sua vida novamente.

Falem em sussurros, vós que assistis a um leito de morte e vos encontrais na solene presença da Morte.

Especialmente tendes de permanecer em silêncio logo após a Morte ter colocado sua mão úmida sobre o corpo.

Falem em sussurros, digo, para que não perturbeis a quieta ondulação do pensamento e não impeçais o trabalho ativo do Passado, lançando seus reflexos sobre o véu do futuro." (The Mahatma Letters to A. P. Sinnett, Carta XXIII, página 170.)

Madame Blavatsky descreve a morte e esses processos pós-morte da seguinte forma: "Quando o homem morre, seus três princípios inferiores o deixam para sempre; isto é, o corpo, a vida e o veículo desta última, o corpo astral [Chamado de duplo etérico na literatura teosófica posterior e ao longo deste livro.] ou o duplo do homem vivo.

E então, seus quatro princípios - o princípio central ou médio (a alma animal ou Kâma Rûpa) [Chamado de corpo astral neste livro], com o que assimilou do Manas inferior, e a tríade superior - encontram-se no Kâma Loka.

O último é uma localidade astral, o limbo da teologia escolástica, o Hades dos antigos e, estritamente falando, uma localidade apenas em sentido relativo.

Não tem área definida nem fronteira, mas existe dentro do espaço subjetivo, isto é, está além das nossas percepções sensoriais.

Ainda assim, existe, e é lá que os eidolons astrais de todos os seres que viveram, inclusive os animais, aguardam a sua "segunda morte". Para os animais, ela chega com a desintegração e o completo desvanecimento de suas partículas astrais até a última.

Para o eidolon humano, ela começa quando se diz que a tríade âtma-buddhi-manásica "se separa" de seus princípios inferiores, ou do reflexo da ex-personalidade, caindo no estado devachânico.

. . . Então o fantasma kâmarúpico, permanecendo desprovido de seu princípio informador e pensante, o Manas superior, e do aspecto inferior deste, a inteligência animal, não recebendo mais luz da mente superior, e não tendo mais um cérebro físico através do qual atuar, colapsa." [A Chave da Teosofia, H. P. Blavatsky, página 97.]

CAPÍTULO XII

FILÓSOFOS E POETAS E A VIDA APÓS A MORTE

"O LUTO", escreve o Deão Inge, "é a iniciação mais profunda nos mistérios da vida humana, uma iniciação mais penetrante e profunda do que até mesmo o amor feliz.

O amor lembrado e consagrado pela dor pertence, mais claramente do que o feliz convívio dos amigos, ao mundo eterno; provou ser mais forte do que a morte."

Sir Thomas Browne combina a observação prática do médico com a apreensão visionária do místico, em seu relato sobre a misteriosa beleza da morte, por ele considerada no caso de um de seus pacientes.

Com a impressão mais profunda que dela recebeu, ele ainda, como diz Pater em Apreciações, surpreende e comove seu leitor.

Sendo a morte lenta, ele pudera notar a espiritualização da estrutura corporal e, simultaneamente, observar o espírito no próprio ato, por assim dizer, de trocar sua vestimenta material, um maravilhoso novo tipo de graça estando envolvido no processo.

`O infinito futuro invadira esta vida perceptivelmente aos sentidos, como o oceano sentido terra adentro por um rio de maré.'" [A Poesia e a Beleza da Morte, Rev. Arthur E. Massey.]

" Dos mortos apenas", diz Maeterlinck, "deveriam ser pintados retratos, pois somente eles são verdadeiramente eles mesmos e que, por um instante, se revelam como são." E em outro lugar ele cita um dito de Lavater: "A morte não apenas embeleza nossa forma inanimada; não, o mero pensamento da morte dá uma forma mais bela à própria vida."

" A morte não o matou, mas ele fez da morte sua escada para os céus."

-Spenser

Não posso dizer e não direi
Que ele está morto.
Ele apenas se foi! Com um sorriso alegre e um aceno de mão
Ele desapareceu na terra desconhecida,
E nos deixou sonhando quão bela
Deve ser, já que ele ali permanece.

E você, oh, você que tanto anseia
Pelo passo de outrora e pelo alegre retorno,
Pense nele como seguindo em frente, tão querido
No amor de lá, quanto no amor de cá;
E ainda leal, como quando ele desferia os golpes
Da força de seu guerreiro contra os inimigos de seu país!
Manso e gentil como era bravo,
Quando o mais doce amor de sua vida ele dava
A pequenas coisas.

Pense nele como o mesmo. Eu digo,
Ele não está morto, ele apenas se foi." -James Whitcomb Riley

"A própria morte nada mais é do que um grande beijo de afeição... Quando um ser humano deixa esta vida terrena, é Deus quem toma Seu filho em Seus braços, beija-o e o carrega da terra para esferas mais brilhantes e mais venturosas."

R. P. Downes

"A morte é uma cessação da impressão dos sentidos, da tirania das paixões, dos erros da mente e da servidão do corpo."

-Antonino

Quem sabe se o que se chama morte não seja vida, e vida mero morrer? " -Eurípides

"A morte é para a Vida como o partir é para o chegar.
Após florescer por um tempo, tudo se aquieta até a própria raiz;
Esse retorno à própria origem é chamado de Paz."

-Uma Antiga Escritura Chinesa

UM SOLDADO - SUA ORAÇÃO

(Este poema anônimo foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial por um membro do Oitavo Exército Britânico num pedaço de papel que voou para as mãos de outro soldado que se abrigava numa trincheira durante a batalha de El Agheila, no Norte da África.)

"Fica comigo, Deus.
A noite é escura,
A noite é fria; minha pequena centelha
De coragem se apaga.
A noite é longa;
Fica comigo, Deus, e torna-me forte.

Eu amo um jogo.
Eu amo uma luta.
Odeio a escuridão; amo a luz.
Amo meu filho; amo minha esposa.
Não sou covarde.
Amo a Vida.
A vida com sua mudança de humor e sombra.
Quero viver.
Não tenho medo.
Mas eu e os meus somos difíceis de separar;
Oh, Deus desconhecido, ilumina meu coração.

Tu acalmaste as águas em Dunquerque
E salvaste Teus Servos.
Toda a Tua obra é maravilhosa,
Querido Deus.
Tu caminhaste diante de nós por aquela estrada terrível.
Estávamos sozinhos, e a esperança nos guiara;
Amávamos nosso país e nossos mortos.
E não podíamos envergonhá-los; então permanecemos
No caminho, e não tivemos muito medo.

Querido Deus, aquela estrada de pesadelo! E então
Aquele mar! Chegamos lá... éramos homens.
Meus olhos estavam cegos, meus pés estavam rasgados,
Minha alma cantava como um pássaro ao amanhecer.

Eu sabia que a morte é apenas uma porta.
Eu sabia pelo que estávamos lutando:
Paz para as crianças, a liberdade de nossos irmãos,
Um mundo mais gentil, uma raça mais pura.

Sou apenas o filho que minha mãe gerou,
Um homem simples, nada mais.
Mas... Deus de força e gentileza,
Digna-Te fazer de mim nada menos.

Ajuda-me, ó Deus, quando a Morte se aproxima
A zombar do rosto abatido do medo,
Para que quando eu cair - se cair eu devo -
Minha alma triunfe no Pó."

Do espírito desvelado, era após era! Que aventura será morrer, E num momento mágico renascer, Passando inconscientemente num suspiro Da noite para a manhã.

Despertar do sono e encontrar Os olhos já não cegos; E como uma espada desembainhada, brilhante e nua, A rápida e emancipada Mente imortal, Cintilando e flamejando no ar mais amplo.

— Robert Campbell Macie

NÃO HÁ MORTE

Alguém disse: É a Morte. E eu, em fraqueza, deslizando pela noite, Em algum susto Olhei para cima, E eis que não havia espectro sombrio, mas apenas um doce e tênue rosto, Um doce e elevado rosto Materno, iluminado de ternura e graça. Tu não és a Morte, clamei, ou a mais suprema fantasia da vida Nunca assim me teria apresentado a Morte; Tu não és a Morte, o Fim? Em palavras cativantes, veio a resposta: Amigo, Não há Morte! Eu sou o Princípio, não o Fim!

John Oxenham

A FONTE DO CONHECIMENTO TEOSÓFICO

A DOUTRINA SECRETA é a Sabedoria acumulada das Eras, e sua cosmogonia, por si só, é o mais estupendo e elaborado de todos os sistemas... os atos que ocuparam inúmeras gerações de videntes e profetas iniciados para reunir, registrar e explicar... estão todos consignados em poucas páginas de signos geométricos e glifos.

O olhar flamejante desses videntes penetrou até o âmago da matéria, e registrou a alma das coisas ali, onde um observador profano comum, por mais erudito que fosse, teria percebido apenas a obra externa da forma.

... [A Doutrina Secreta] é um registro ininterrupto, abrangendo milhares de gerações de videntes, cujas experiências respectivas foram usadas para testar e verificar as tradições, transmitidas oralmente de uma raça primitiva a outra, dos ensinamentos de Seres superiores e exaltados, que velaram pela infância da Humanidade... [Eles o fizeram] verificando, testando e confirmando, em todos os departamentos da Natureza, as tradições antigas, pelas visões independentes de grandes Adeptos; isto é, de homens que desenvolveram e aperfeiçoaram suas organizações físicas, mentais, psíquicas e espirituais, ao mais alto grau possível.

Nenhuma visão de um Adepto foi aceita até ser verificada e confirmada pelas visões — assim obtidas, de modo a constituírem evidência independente — de outros Adeptos, e por séculos de experiência. [A Doutrina Secreta, H. P. Blavatsky, Volume I, Edição de Adyar, 316.]

UM MÉTODO DE MEDITAÇÃO

Preparação

Corpo relaxado.

Emoções harmonizadas.

Mente alerta e carregada de vontade.

Centro de consciência estabelecido no Eu Superior, na Alma Espiritual, no Ego Imortal.

Dissociação

Mentalmente afirmar e realizar —

Não sou o Corpo Físico. Sou o Eu Espiritual.

Não sou as Emoções. Sou o Eu Espiritual.

Não sou a Mente. Sou o Eu Espiritual.

Meditação

Eu sou o Eu Divino. (Pensar na Mônada.) Imortal. Eterno. Radiante de Luz Espiritual.

Eu sou esse Eu de Luz, esse Eu sou eu. O Eu em mim, o Atmâ [Atmâ, Sânscrito: A Essência-Espírito do homem.] é uno com o Eu em todos, o Paramâtma. [Paramâtma, Sânsc.: A Essência-Espírito do universo, sua Inteligência presidente, o Logos Solar, Nosso Senhor o Sol.] Eu sou esse Eu em todos; esse Eu sou eu. O Atmâ e o Paramâtmâ são um.

Eu sou AQUELE. AQUELE sou eu.

Encerramento

Trazer o centro de consciência para a mente formal, iluminada e responsiva à intuição.

Para as emoções, irradiadas pela Luz Espiritual.

Para o corpo, fortalecido pela Vontade Espiritual, internamente vitalizado, e auto-recolhido durante todo o dia, lembrando a Presença Divina no coração, o Imortal Regente Interno, sentado nos corações de todos os seres.

Relaxar a mente e permitir que o efeito edificante da meditação se estenda aos estudos e à vida do dia.

(Para explicações e comentários, ver *Uma Ioga de Luz* de Geoffrey Hodson, Theosophical Publishing House, Adyar, Madras, Índia.)

TEOSOFIA E A SOCIEDADE TEOSÓFICA

A palavra Teosofia, derivada de duas palavras gregas que significam Sabedoria Divina, foi cunhada pelos Neoplatônicos no século II da era cristã para denotar as verdades reveladas ao homem por seus Anciões evolucionários no alvorecer da vida humana neste planeta, e acrescentadas, verificadas e reexaminadas até os dias atuais por uma sucessão ininterrupta de investigadores ocultistas Adeptos [Adepto: Um Iniciado do 5º grau; um Mestre na Ciência da Filosofia Esotérica; um homem aperfeiçoado; um Ser exaltado que alcançou o domínio sobre a natureza humana e possui conhecimento e poder proporcionais à sua elevada estatura evolucionária. Este cumprimento do destino humano é assim descrito por São Paulo: "Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo." (Efésios, IV. 13) Certos Adeptos permanecem na Terra para auxiliar a humanidade e são referidos por São Paulo como "homens justos aperfeiçoados". (Hebreus, XII. 23) O Senhor Cristo descreveu similarmente o destino do homem em Suas palavras: "Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial." (Mateus, V. 48, R. V.)].

Os frutos plenos desse processo duplo foram preservados pelos ainda vivos Hierofantes e Iniciados dos Grandes Mistérios, nos quais foram transmitidos apenas a neófitos comprometidos.

Em seu aspecto doutrinário, esses Mistérios consistem em um vasto corpo de ensinamentos que abrange todo assunto concebível ao qual a mente humana possa se voltar. Os princípios fundamentais de religião, filosofia, arte, ciência e política estão todos contidos nesta Sabedoria das Eras.

Desde o fechamento das Escolas Neoplatônicas e Gnósticas até o último quartel do século XIX, exceto por alguns poucos Alquimistas, Cabalistas, Rosacruzes, Maçons ocultamente instruídos e místicos cristãos, a Teosofia era desconhecida no mundo ocidental.

Antes disso, era conhecida e estudada em várias formas pelos Platônicos, os Pitagóricos, os Egípcios e os Caldeus, enquanto na Índia e na China foi preservada através dos tempos em continuidade ininterrupta.

É a sabedoria dos Upanishads e dos Vedas, o próprio coração do Hinduísmo, do Taoísmo e do Islã.

Por meio de alegoria e símbolo, isso é revelado nas Escrituras Cristãs, cuja leitura literal tem cegado os cristãos para seu significado mais profundo.

A Sociedade Teosófica, fundada em Nova York em 1875, uma reencarnação de inúmeros movimentos similares no passado, é um dos muitos canais escolhidos de tempos em tempos pelos Instrutores da Raça para a transmissão desta Sabedoria Antiga ao homem.

Aos teosofistas é oferecida a oportunidade de estudar, viver e apresentar as verdades seculares ao mundo em termos do pensamento moderno.

Embora as apresentações possam variar, a Teosofia em si, sendo toda-Verdade, é imutável e eterna.

O estudo da religião comparada revela a existência de certas doutrinas que são comuns a todas as Fés Mundiais.

Embora apresentadas de forma diferente em cada uma, quando coletadas e fundidas em um todo, esses ensinamentos constituem um corpo básico de Verdade revelada que pode ser estudado independentemente de todos os sistemas religiosos.

Cada religião mundial revela um arco do círculo da Sabedoria Eterna.

A Teosofia, embora ainda apenas parcialmente revelada ao homem, é o círculo completo da Verdade.

Era após era, sob a direção Daqueles que são os Guardiões do conhecimento e de seu poder acompanhante, aspectos da Sabedoria Eterna são revelados ao homem através das religiões e filosofias mundiais.

O grande valor prático da Teosofia consiste em sua revelação do significado e propósito da existência humana, que sem ela é um enigma sem esperança que desafia solução.

Um enigma pode ser resolvido por dois métodos.

Um é o de tentativa e erro, de experimentar com várias peças na esperança de que, em última análise, elas se encaixem.

Este é um método lento e insatisfatório, particularmente na tentativa de resolver os problemas da vida.

O outro método, muito mais satisfatório, é baseado no pré-conhecimento da posição das várias peças no desenho completo.

A Teosofia fornece esse conhecimento, revela o devido lugar em um plano evolutivo de cada indivíduo e de cada evento.

A vida de certo modo se assemelha a um pedaço de tapeçaria.

No lado inferior, vê-se pouco além de emaranhados incompreensíveis, nós, cores mal combinadas e uma confusão geral.

O exame do lado superior, no entanto, revela o padrão inteiro, mostra que a confusão é apenas aparente, pois cada justaposição é essencial para a conclusão do desenho.

Assim também, a aparente confusão nas vidas dos indivíduos e das Nações.

A Teosofia revela o plano da vida, conferindo assim serenidade mental àqueles que a estudam e tornando possível para eles uma vida inteligente e proposital.

O estudante de Teosofia fará bem em reconhecer que a mente humana, sendo finita, não pode compreender plenamente a Verdade abstrata, que é infinita.

À medida que o intelecto humano se desenvolve, o poder de compreensão do homem aumenta.

A Verdade parece mudar, assim como a forma de uma montanha gradualmente aproximada e vista de diferentes pontos de vista.

A montanha em si, no entanto, é relativamente imutável, como também é a Verdade eterna.

Sendo a Teosofia toda-Verdade, nenhuma declaração teosófica final é jamais possível.

Nenhum professor teosófico pode legitimamente fazer pronunciamentos autoritativos.

Na Sociedade Teosófica, a opinião é, portanto, livre, exceto, talvez, quanto à fraternidade do homem, que tende a ser considerada como um fato na Natureza a ser reconhecido, e não como um dogma a ser imposto.

Com esta exceção, nenhuma declaração teosófica é vinculativa para outro, e nenhuma afirmação é considerada como representando a Verdade final.

A Sociedade Teosófica é oficialmente descrita como sendo "composta de estudantes, pertencentes a qualquer religião do mundo ou a nenhuma, que estão unidos por sua aprovação dos Objetivos da Sociedade, por seu desejo de remover antagonismos religiosos e de aproximar homens de boa vontade, quaisquer que sejam suas opiniões religiosas, e por seu desejo de estudar verdades religiosas e compartilhar os resultados de seus estudos com outros.

Seu vínculo de união não é a profissão de uma crença comum, mas uma busca e aspiração comuns pela Verdade.

Eles sustentam que a Verdade deve ser buscada pelo estudo, pela reflexão, pela pureza de vida, pela devoção a ideais elevados, e consideram a Verdade como um prêmio a ser almejado, não como um dogma a ser imposto pela autoridade.

Eles consideram que a crença deve ser o resultado do estudo individual ou da intuição, e não seu antecedente, e deve repousar no conhecimento, não na afirmação.

Eles estendem tolerância a todos, mesmo aos intolerantes, não como um privilégio que concedem, mas como um dever que cumprem, e buscam remover a ignorância, não puni-la. Eles veem cada religião como uma expressão da Sabedoria Divina e preferem seu estudo à sua condenação, e sua prática ao proselitismo.

Paz é seu lema, assim como a Verdade é seu objetivo.

"A Teosofia é o corpo de verdades que forma a base de todas as religiões, e que não pode ser reivindicado como posse exclusiva de qualquer uma.

Ela oferece uma filosofia que torna a vida inteligível, e que demonstra a justiça e o amor que guiam sua evolução.

Ela coloca a morte em seu devido lugar como um incidente recorrente em uma vida sem fim, abrindo o portal para uma existência mais plena e mais radiante.

Ela restaura ao mundo a Ciência do Espírito, ensinando ao homem conhecer o Espírito como ele mesmo e a mente e o corpo como seus servos.

Ela ilumina as escrituras e doutrinas das religiões desvelando seus significados ocultos, e assim justificando-as no tribunal da inteligência, como são sempre justificadas aos olhos da intuição."

Em 23 de dezembro de 1924, o Conselho Geral da Sociedade Teosófica aprovou a seguinte Resolução afirmando a liberdade de pensamento dentro da Sociedade:

"Como a Sociedade Teosófica se espalhou amplamente pelo mundo civilizado, e como membros de todas as religiões tornaram-se membros dela sem abandonar os dogmas, ensinamentos e crenças específicos de suas respectivas fés, considera-se desejável enfatizar o fato de que não há doutrina, nenhuma opinião, por quem quer que seja ensinada ou sustentada, que seja de qualquer forma vinculativa para qualquer membro da Sociedade, nenhuma que qualquer membro não seja livre para aceitar ou rejeitar."

A aprovação de seus três objetivos é a única condição para a filiação.

Nenhum professor ou escritor, de H. P. Blavatsky para baixo, tem autoridade para impor seus ensinamentos ou opiniões aos membros.

Todo membro tem igual direito de se vincular a qualquer professor ou a qualquer escola de pensamento que escolher, mas não tem o direito de forçar sua escolha sobre qualquer outro.

Nem um candidato a qualquer cargo, nem qualquer eleitor, pode ser tornado inelegível para se candidatar ou votar por causa de qualquer opinião que possa ter, ou por causa de filiação a qualquer escola de pensamento à qual possa pertencer.

Opiniões ou crenças não conferem privilégios nem impõem penalidades.

Os Membros do Conselho Geral solicitam encarecidamente a todo membro da Sociedade Teosófica que mantenha, defenda e aja de acordo com esses princípios fundamentais da Sociedade, e também que exerça destemidamente seu próprio direito de liberdade de pensamento e de expressão, dentro dos limites da cortesia e consideração pelos outros.

Apesar dessa completa ausência de dogmatismo, que deveria ser a marca de todas as exposições da Teosofia, existe um corpo geral de ensinamentos, uma síntese das doutrinas comuns das filosofias e religiões mundiais, antigas e modernas, que na prática é geralmente aceito enquanto ressoa como verdadeiro.

Além do desenvolvimento e uso de poderes suprassensoriais como meio de pesquisa, isso constitui um teste que cada estudante pode aplicar a todos os ensinamentos teosóficos: eles ressoam como verdadeiros? Se uma resposta afirmativa for possível, podem ser aceitos como hipóteses de trabalho até que um conhecimento mais completo os prove ou refute.

Se uma afirmação não ressoar como verdadeira, três caminhos estão abertos ao estudante.

Ele pode rejeitar, ignorar ou suspender o julgamento até que, por autotreinamento, desenvolva a capacidade de descobrir os fatos por si mesmo.

O último desses três caminhos pareceria ser o mais desejável.

Assim, a atitude mental com a qual a Teosofia deve ser estudada é a do cientista - a aceitação de uma teoria bem fundamentada como hipótese de trabalho até que seja provada, refutada ou suspensa.

Os escritos de Madame H. P. Blavatsky constituem a fonte primária de informação teosófica na literatura moderna.

Embora rotulada como charlatã por aqueles que não investigaram sua vida nem compreenderam sua obra literária, esta grande dama é reverenciada por dezenas de milhares de estudantes de Teosofia como uma portadora de luz para o mundo moderno.

Eles acreditam que ela foi escolhida para esta missão pelos Sábios [Vide O Mestre, A. Besant.] que têm sido tanto Guardiões quanto Reveladores da Teosofia à humanidade ao longo dos tempos.

Esses Adeptos usaram Madame Blavatsky como amanuense e, com sua ajuda, deram a Teosofia ao mundo em nosso tempo.

Dois métodos principais foram empregados.

Um consistia em clarividência plenamente consciente e telepatia mental, nas quais, como resultado de treinamento sob Eles, ela era altamente habilidosa.

O outro método era o da precipitação oculta de cartas escritas por Eles, ou por Seus discípulos sob Sua direção.

Pelo primeiro método, Madame Blavatsky produziu suas duas grandes obras, Ísis sem Véu e A Doutrina Secreta - cada uma uma fonte quase inesgotável de sabedoria e conhecimento esotéricos.

Pelo segundo método, o Sr. A. P. Sinnett, na época (1880) editor do principal jornal da Índia, The Pioneer, obteve o material para seus livros, O Mundo Oculto, Budismo Esotérico e O Crescimento da Alma.

Esses autores foram seguidos por muitos outros, notavelmente Annie Besant e C. W. Leadbeater, ambos os quais, além de receberem instrução direta dos Sábios, foram treinados por Eles no desenvolvimento de poderes ocultos e seu uso como meio de pesquisa.

Sua contribuição subsequente ao conhecimento humano é imensa.

Os falecidos Geo. S. Arundale, C. Jinarájadása e N. Sri Ram, ex-presidentes, todos eles líderes, professores e autores teosóficos muito respeitados, também fizeram suas próprias contribuições valiosas.

O Sr. Jinarájadása coletou e publicou muitas das cartas dos Sábios ao Sr. Sinnett e outros, em três volumes intitulados Cartas dos Mestres da Sabedoria, Série I e II, e As Cartas K. H. para C. W. Leadbeater.

O leitor interessado é remetido a essas várias fontes como as bases para a maioria das afirmações feitas neste livro.